A data com é o último dia em que você precisa ter a ação (ou a cota do FII) em carteira, no fechamento do pregão, para ter direito a um provento já anunciado. No dia útil seguinte vem a data ex: quem compra a partir dela não recebe aquele pagamento, e o preço do papel costuma ser ajustado para baixo.
- Data com: último dia para comprar e garantir o direito ao dividendo ou JCP anunciado.
- Data ex: primeiro dia em que a ação é negociada sem o direito ao provento.
- Na data ex, o preço tende a cair aproximadamente o valor do provento, porque esse dinheiro sai do caixa da empresa.
- Comprar na data com e vender na data ex, só para pegar o dividendo, em geral não gera ganho e ainda pode gerar custos e imposto.
- Datas e valores são divulgados pela empresa (site de RI) e ficam disponíveis também na B3.
O que é data com e data ex
Quando uma empresa de capital aberto decide distribuir parte do lucro aos acionistas, ela precisa definir quem tem direito a esse dinheiro. Como as ações trocam de mãos o tempo todo na bolsa, é necessário um “corte”: uma data a partir da qual a lista de beneficiários fica fechada.
Esse corte é a data com (também chamada de “data de corte”). Quem estiver com a ação na posição no fechamento desse pregão entra na lista e recebe o provento, mesmo que venda o papel no dia seguinte.
A data ex é o primeiro pregão depois da data com. A partir dela, a ação passa a ser negociada “ex-dividendos” ou “ex-JCP”, ou seja, sem o direito àquele pagamento específico. Quem comprar nesse dia ou depois não recebe aquele provento — mas terá direito aos próximos que forem anunciados.
Liquidação D+2 não muda a regra
Na B3, a liquidação financeira de uma compra de ações acontece em dois dias úteis (D+2). Isso confunde muita gente, mas o que vale para o direito ao provento é a data da negociação. Se você comprou no pregão da data com, você tem direito, mesmo que as ações só apareçam “liquidadas” na sua custódia dois dias depois.
Linha do tempo dos proventos: aprovação, data com, data ex e pagamento
Todo provento passa por uma sequência de etapas. Entender essa ordem ajuda você a ler os comunicados das empresas sem confusão.
- Data de aprovação (ou declaração): o conselho de administração ou a assembleia aprova a distribuição e a empresa publica um comunicado (aviso aos acionistas ou fato relevante) informando o valor por ação, o tipo de provento e as datas.
- Data de corte: último dia para estar posicionado. Pode coincidir com a aprovação ou ser alguns dias depois.
- Data ex: o pregão seguinte à data com. A ação passa a ser negociada sem o direito ao provento e o preço de referência é ajustado.
- Data de pagamento: quando o dinheiro de fato cai na sua conta na corretora. Pode ser dias, semanas ou até meses depois da data com.
Algumas empresas já definem a data de pagamento no anúncio; outras deixam o pagamento “a definir”. O seu direito, porém, fica garantido no dia do corte, independentemente de quando o dinheiro for pago.
| Etapa | O que acontece | O que importa para você |
|---|---|---|
| Aprovação | Empresa anuncia valor, tipo de provento e datas | Saber quanto será pago por ação e quando é a data com |
| Data com | Último dia para ter a ação na posição | Comprar até o fechamento garante o direito |
| Data ex | Ação passa a ser negociada sem o provento | Compras a partir daqui não recebem aquele pagamento |
| Pagamento | Dinheiro é creditado na conta da corretora | Você recebe mesmo se já tiver vendido a ação depois da data com |
Por que a ação cai na data ex
Muita gente se assusta ao ver a cotação abrir em queda na data ex. Na maioria das vezes, é só um ajuste esperado e mecânico.
A lógica é simples. O valor que será distribuído aos acionistas sai do caixa da empresa. Antes da data ex, quem compra a ação está comprando a empresa mais o direito de receber aquele dinheiro. Depois da data ex, o comprador leva só a empresa, já sem aquele valor que vai para os acionistas antigos. Faz sentido, então, que o preço seja menor.
Por isso, a B3 ajusta o preço de referência (o “preço ex”) descontando o valor do provento. A partir daí, o preço flutua normalmente de acordo com oferta e demanda. Em um dia de mercado positivo, a ação pode até fechar em alta na data ex; em um dia negativo, pode cair mais do que o provento. O ajuste é o ponto de partida, não o resultado final do pregão.
Exemplo numérico: o que acontece com o seu patrimônio
Vamos a um exemplo hipotético, com números redondos para facilitar.
- Uma ação fecha a data com cotada a R$ 40,00.
- A empresa anunciou dividendos de R$ 1,00 por ação.
- Você tem 1.000 ações.
No fechamento do dia de corte, sua posição vale 1.000 × R$ 40,00 = R$ 40.000.
Na data ex, o preço de referência é ajustado para R$ 39,00 (R$ 40,00 − R$ 1,00). Suponha que a ação feche exatamente nesse valor. Sua posição passa a valer 1.000 × R$ 39,00 = R$ 39.000. Em compensação, você tem a receber 1.000 × R$ 1,00 = R$ 1.000 em dividendos.
| Momento | Preço da ação | Valor das 1.000 ações | Dividendos a receber | Total |
|---|---|---|---|---|
| Fechamento do dia de corte | R$ 40,00 | R$ 40.000 | R$ 0 | R$ 40.000 |
| Data ex (preço ajustado) | R$ 39,00 | R$ 39.000 | R$ 1.000 | R$ 40.000 |
Repare: o total continua sendo R$ 40.000. O dividendo não é dinheiro “extra” que aparece do nada — é uma parte do valor da empresa que sai do caixa e vai para o seu bolso. O seu patrimônio muda de forma (menos em ações, mais em dinheiro), mas não de tamanho, ao menos no momento do ajuste.
O que cria riqueza no longo prazo é a capacidade da empresa de continuar gerando lucro e recompor esse caixa. Por isso, faz mais sentido analisar a qualidade do negócio do que a data do próximo provento. Se quiser aprofundar, veja o nosso artigo sobre dividend yield: como calcular e as armadilhas do indicador.
Vale comprar a ação só para receber o dividendo?
Uma estratégia comum em redes sociais é comprar no último dia com direito, receber o dividendo e vender na data ex. Pelo exemplo acima, você já percebe por que, em geral, ela não funciona.
Os motivos
- O preço é ajustado: o que você recebe em dividendo tende a ser compensado pela queda da ação na data ex.
- Custos de operação: mesmo com corretagem zero em muitas corretoras, existem emolumentos e taxas da B3 em cada compra e venda.
- Risco de mercado: a ação pode cair mais do que o valor do provento por outros motivos (notícias, cenário macroeconômico, eleições). Em outubro de 2026, ano eleitoral com o 1º turno realizado em 04/10, a volatilidade tende a ser maior.
- Imposto: se você vender com lucro e o total de vendas de ações no mês passar de R$ 20 mil, há 15% de IR sobre o ganho. Se for day trade, a alíquota é de 20%, sem a isenção de R$ 20 mil. Se o JCP for o provento, há ainda 17,5% retidos na fonte.
- Prazo de pagamento: o dinheiro do provento pode demorar semanas ou meses para entrar, enquanto o efeito da data ex é imediato.
E se for JCP?
No caso dos juros sobre capital próprio, a conta fica ainda menos favorável para quem tenta “capturar” o provento. O preço é ajustado pelo valor bruto declarado, mas você recebe o valor líquido, já descontados os 17,5% de imposto retido na fonte. Ou seja: a ação cai R$ 1,00, mas você recebe R$ 0,825 por ação.
E o imposto sobre dividendos em 2026?
Pela Lei 15.270/2025, desde janeiro de 2026 há retenção de 10% na fonte quando a mesma empresa paga mais de R$ 50 mil por mês em dividendos à mesma pessoa física. Abaixo disso, os dividendos continuam isentos. Para a maioria dos investidores pessoa física, portanto, o dividendo segue sem IR na fonte. Para entender a tributação completa, consulte nosso guia de imposto de renda sobre investimentos.
Data com nos fundos imobiliários
Nos fundos imobiliários (FIIs) a lógica é a mesma, mas com uma rotina mais previsível. A maioria dos FIIs distribui rendimentos mensalmente e costuma seguir um calendário relativamente estável.
- Corte: muitos FIIs usam o último dia útil do mês ou uma data fixa no início do mês, conforme regulamento ou comunicados.
- Anúncio: o valor costuma ser divulgado perto do corte, em comunicado do administrador.
- Pagamento: geralmente alguns dias úteis depois do corte.
Assim como nas ações, a cota tende a ser ajustada na data ex. Em um exemplo hipotético, se a cota de um FII vale R$ 100,00 e o fundo anuncia rendimento de R$ 0,80 por cota, quem tem 300 cotas no dia de corte recebe 300 × R$ 0,80 = R$ 240. Esse rendimento equivale a 0,8% do valor da cota — e é justamente esse valor que tende a “sair” do preço no dia seguinte.
Para a pessoa física, os rendimentos mensais dos FIIs são isentos de IR, desde que cumpridos os requisitos: cotas negociadas exclusivamente em bolsa ou balcão, fundo com pelo menos 100 cotistas e investidor com menos de 10% das cotas. O ganho de capital na venda das cotas é tributado em 20%. Saiba mais em como funcionam os fundos imobiliários.
Onde consultar a data com e a data ex
As informações oficiais sempre partem da própria empresa ou do administrador do fundo. Veja os principais lugares para conferir:
- Site de Relações com Investidores (RI): toda empresa listada tem uma área de RI com avisos aos acionistas, fatos relevantes e histórico de proventos.
- Site da B3: na página de cada empresa listada há a seção de eventos corporativos e proventos em dinheiro, com datas e valores. Acesse pelo portal da B3.
- Sistemas da CVM: comunicados obrigatórios das companhias abertas e dos fundos ficam disponíveis nos sistemas da CVM.
- Sua corretora: o home broker e a área de “proventos” ou “eventos” costumam listar os pagamentos previstos para os ativos da sua carteira.
Agregadores também mostram calendários de proventos, mas confirme no comunicado oficial. Se ainda está aprendendo a operar, o guia sobre home broker e como enviar sua primeira ordem pode ajudar.
No comunicado, confira o tipo de provento (dividendo ou JCP), o valor por ação, a classe (ON, PN ou units) e as três datas.
Conclusão
A data com define quem tem direito ao provento; a data ex marca o início da negociação sem esse direito e, normalmente, um ajuste no preço. Entender essa linha do tempo evita sustos com a queda da cotação e ajuda você a planejar o recebimento dos proventos.
Mais importante: o dividendo não é um “bônus” que se captura com timing. Ele é parte do valor da empresa sendo devolvida a você. Em outubro de 2026, com a bolsa sujeita à volatilidade do período eleitoral, o foco continua o mesmo: escolher boas empresas e fundos, pensar no longo prazo e diversificar. Para dar os primeiros passos, veja como investir em ações passo a passo.
Perguntas frequentes
Se eu comprar a ação na data com, recebo o dividendo?
Sim. Basta comprar até o fechamento do pregão da data com. O que vale é a data da negociação, não a data de liquidação (D+2).
Se eu vender a ação na data ex, perco o dividendo?
Não. Se você tinha a ação no fechamento da data com, o direito já está garantido. Você pode vender na data ex ou depois e ainda assim receberá o provento na data de pagamento.
Por que a ação caiu no dia seguinte ao anúncio dos dividendos?
Provavelmente porque era a data ex. Nesse dia, o preço de referência é ajustado descontando o valor do provento, já que esse dinheiro sai do caixa da empresa. Outras notícias do mercado também podem influenciar a cotação.
A data ex é sempre o dia seguinte à data com?
Sim, a data ex é o primeiro dia útil de negociação após a data com. Se houver feriado sem pregão no meio, ela passa para o próximo dia útil.
Comprar só para receber o dividendo vale a pena?
Em geral, não. O preço tende a cair aproximadamente o valor do provento na data ex, e ainda há custos operacionais, risco de mercado e possível imposto. No caso do JCP, você recebe o valor líquido, já descontados os 17,5% de IR, mas o preço é ajustado pelo valor bruto.
Onde vejo a data com dos fundos imobiliários?
Nos comunicados do administrador do fundo, divulgados no site do FII, na B3 e nos sistemas da CVM. Muitos FIIs seguem um calendário fixo mensal, definido em regulamento ou informado nos comunicados.
Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Dados atualizados em outubro de 2026.


