Juros compostos são juros calculados sobre o valor inicial somado aos juros já acumulados — os famosos “juros sobre juros”. A fórmula é M = C × (1 + i)n. Com o tempo, esse efeito faz o patrimônio crescer em curva, e não em linha reta.
- Nos juros compostos, os rendimentos de cada período passam a render também no período seguinte.
- Fórmula básica: M = C × (1 + i)n, com taxa e prazo na mesma unidade de tempo.
- R$ 10 mil a 10% ao ano por 10 anos viram R$ 20.000 nos juros simples e R$ 25.937 nos compostos.
- Tempo, taxa e aportes regulares aceleram o efeito; custos, IR e inflação o freiam.
- O mesmo mecanismo trabalha contra você em dívidas como cartão de crédito e cheque especial.
O que são juros compostos
Juro é o preço do dinheiro no tempo. Quando você empresta seu dinheiro — comprando um título, um CDB ou deixando na poupança — recebe juros como remuneração. Quando toma dinheiro emprestado, paga juros.
Nos juros compostos, os juros de cada período são incorporados ao saldo. No período seguinte, a taxa incide sobre esse saldo maior. Por isso se fala em “juros sobre juros”: o rendimento de hoje vira capital que rende amanhã.
Esse é o regime usado na grande maioria dos investimentos e financiamentos no Brasil. Tesouro Direto, CDBs, LCIs, LCAs e a poupança crescem de forma composta, assim como as dívidas de cartão de crédito e cheque especial.
No começo, a diferença em relação aos juros simples é pequena. Com o passar dos anos, ela se torna enorme. É por isso que o tempo é considerado o principal aliado de quem investe.
Fórmula dos juros compostos e como calcular
A fórmula dos juros compostos para um valor aplicado uma única vez é:
M = C × (1 + i)n
Cada termo significa:
- M (montante): o valor final, já somando capital e juros.
- C (capital): o valor inicial investido (ou emprestado).
- i (taxa de juros): a taxa por período, em formato decimal. 1% vira 0,01; 10% vira 0,10.
- n (número de períodos): quantos meses ou anos o dinheiro fica aplicado.
Se quiser saber apenas quanto rendeu, basta subtrair o capital: J = M − C.
Exemplo resolvido
Imagine que você aplica R$ 5.000 a uma taxa de 1% ao mês, por 24 meses, sem novos aportes.
- Identifique os termos: C = 5.000; i = 0,01; n = 24.
- Some 1 à taxa: 1 + 0,01 = 1,01.
- Eleve ao número de períodos: 1,0124 ≈ 1,2697.
- Multiplique pelo capital: 5.000 × 1,2697 ≈ R$ 6.348,67.
Os juros acumulados foram de cerca de R$ 1.348,67. Nos juros simples, com a mesma taxa, você teria R$ 6.200 (5.000 + 24 × R$ 50). A diferença de quase R$ 150 vem só dos juros sobre juros — e cresce rapidamente com prazos maiores.
Conversão de taxa anual para mensal (e vice-versa)
Em juros compostos, você não pode simplesmente dividir a taxa anual por 12. A conversão correta é:
- Anual para mensal: imensal = (1 + ianual)1/12 − 1
- Mensal para anual: ianual = (1 + imensal)12 − 1
Exemplo: com o CDI em cerca de 13,65% ao ano em outubro de 2026, a taxa mensal equivalente é (1,1365)1/12 − 1 ≈ 1,07% ao mês. Pelo caminho inverso, 1% ao mês equivale a cerca de 12,68% ao ano — e não 12%.
Regra do 72: um atalho mental
A regra do 72 estima em quantos anos o dinheiro dobra: divida 72 pela taxa anual (em número inteiro, não decimal).
- A 10% ao ano: 72 ÷ 10 = 7,2 anos (o cálculo exato dá cerca de 7,3).
- A 13,65% ao ano: 72 ÷ 13,65 ≈ 5,3 anos (o cálculo exato dá cerca de 5,4).
É uma aproximação, útil para comparar taxas rapidamente. Ela funciona melhor para taxas entre 6% e 12% ao ano e não considera impostos nem inflação.
Juros simples e compostos: a diferença na prática
Nos juros simples, a taxa sempre incide sobre o capital inicial. O rendimento é o mesmo todo período, e o crescimento é linear. Nos juros compostos, a base de cálculo cresce a cada período.
Veja o que acontece com R$ 10.000 aplicados a 10% ao ano, sem novos aportes:
| Ano | Juros simples | Juros compostos | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 11.000 | R$ 11.000 | R$ 0 |
| 2 | R$ 12.000 | R$ 12.100 | R$ 100 |
| 3 | R$ 13.000 | R$ 13.310 | R$ 310 |
| 5 | R$ 15.000 | R$ 16.105 | R$ 1.105 |
| 10 | R$ 20.000 | R$ 25.937 | R$ 5.937 |
No primeiro ano, os dois regimes empatam. Em dez anos, os juros compostos geram quase R$ 6 mil a mais — e a distância continua aumentando a cada ano.
Os juros simples aparecem em situações pontuais, como alguns cálculos de multa e mora. Para investimentos de médio e longo prazo, o que importa é a lógica composta.
Juros compostos com aportes mensais
Pouca gente investe um valor único e esquece. O mais comum é aplicar um pouco todo mês. Para isso, usa-se a fórmula do valor futuro de uma série de pagamentos:
VF = PMT × [(1 + i)n − 1] ÷ i
- VF: valor futuro acumulado.
- PMT: valor do aporte mensal.
- i: taxa mensal (converta a taxa anual pela fórmula da seção anterior).
- n: número de meses.
A fórmula considera aportes no fim de cada mês. Se você também tem um valor inicial, some a ele o resultado de M = C × (1 + i)n.
A tabela abaixo simula aportes mensais com taxas anuais efetivas de 8% e 10% (equivalentes a cerca de 0,64% e 0,80% ao mês). São valores hipotéticos e brutos, sem impostos, custos ou inflação:
| Aporte mensal | Prazo | 8% ao ano | 10% ao ano | Total aportado |
|---|---|---|---|---|
| R$ 500 | 10 anos | R$ 90.062 | R$ 99.932 | R$ 60.000 |
| R$ 500 | 20 anos | R$ 284.500 | R$ 359.130 | R$ 120.000 |
| R$ 500 | 30 anos | R$ 704.275 | R$ 1.031.422 | R$ 180.000 |
| R$ 1.000 | 10 anos | R$ 180.124 | R$ 199.864 | R$ 120.000 |
| R$ 1.000 | 20 anos | R$ 568.999 | R$ 718.259 | R$ 240.000 |
| R$ 1.000 | 30 anos | R$ 1.408.551 | R$ 2.062.843 | R$ 360.000 |
Repare em dois pontos. Primeiro: em 10 anos, a 10% ao ano, os juros representam cerca de R$ 40 mil sobre R$ 60 mil aportados. Em 30 anos, o saldo passa de R$ 1 milhão com R$ 180 mil aportados — os juros viram a maior parte do patrimônio.
Segundo: dobrar o prazo de 10 para 20 anos mais que triplica o saldo. Ir de 20 para 30 anos multiplica o saldo por cerca de 2,5 a 2,9 vezes, conforme a taxa. Essa é a curva dos juros compostos em ação.
Calculadora de juros compostos no Excel ou Google Sheets
Você não precisa fazer as contas à mão. Uma planilha funciona como calculadora de juros compostos com a função VF (valor futuro):
=VF(taxa;nper;pgto;vp)
- taxa: taxa por período (mensal, se os aportes forem mensais).
- nper: número de períodos.
- pgto: aporte de cada período, com sinal negativo.
- vp: valor inicial, também com sinal negativo (use 0 se não houver).
O sinal negativo indica dinheiro saindo do seu bolso; assim, o resultado aparece positivo. Para reproduzir a tabela acima com R$ 500 por mês, 10 anos e 10% ao ano:
=VF((1+10%)^(1/12)-1;120;-500;0)
O resultado é cerca de R$ 99.932. Para o exemplo resolvido (R$ 5.000 a 1% ao mês por 24 meses, sem aportes), use =VF(1%;24;0;-5000), que retorna aproximadamente R$ 6.348,67.
O lado negativo: juros compostos nas dívidas
A mesma força que multiplica investimentos multiplica dívidas. Quando você deixa de pagar uma fatura ou entra no cheque especial, os juros do mês se somam ao saldo devedor, e no mês seguinte a taxa incide sobre esse valor maior.
O agravante é a taxa. Linhas como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial costumam ter juros muito altos, bem acima de qualquer rendimento que você obtenha em aplicações conservadoras. Por isso, a dívida cresce mais rápido do que o investimento.
Se você já está endividado, priorize as dívidas de juros mais altos, negocie a troca por linhas mais baratas e evite pagar só o mínimo da fatura.
O que acelera (e o que freia) os juros compostos
Olhando a fórmula, cinco fatores determinam o resultado final. Três jogam a seu favor; dois corroem o rendimento.
Tempo
O prazo está no expoente da fórmula, por isso tem o maior peso. Começar cedo, mesmo com pouco, costuma valer mais do que começar tarde com muito. Na tabela de aportes, R$ 500 por 30 anos superam R$ 1.000 por 20 anos.
Taxa
Pequenas diferenças de taxa viram grandes diferenças de patrimônio. Com R$ 1.000 por mês durante 30 anos, passar de 8% para 10% ao ano aumenta o saldo em mais de R$ 650 mil. Mas cuidado: taxa maior normalmente vem com risco maior.
Aportes
Aportes regulares alimentam a base que rende. Aumentar o valor aplicado conforme sua renda cresce acelera a curva, e a disciplina mensal costuma importar mais do que acertar o momento ideal.
Custos e imposto de renda
Taxas de administração, custódia e o imposto de renda reduzem a taxa efetiva. Um exemplo hipotético: com R$ 1.000 por mês por 30 anos, cair de 10% para 9% ao ano, por causa de um custo de 1 ponto percentual, reduz o saldo final em cerca de R$ 360 mil.
Na renda fixa, o IR segue tabela regressiva: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Isso favorece quem deixa o dinheiro aplicado por mais tempo. Veja os detalhes no guia de imposto de renda sobre investimentos.
Inflação e juro real
A inflação também é composta e corrói o poder de compra. O que importa é o juro real, calculado pela fórmula de Fisher:
(1 + taxa nominal) = (1 + taxa real) × (1 + inflação)
Isolando a taxa real: taxa real = (1 + nominal) ÷ (1 + inflação) − 1. Com o CDI em cerca de 13,65% ao ano e o IPCA acumulado em 12 meses de 4,22% (até agosto de 2026), o juro real bruto fica em torno de 1,1365 ÷ 1,0422 − 1 ≈ 9,05% ao ano, antes do IR. A simples subtração (13,65 − 4,22) daria 9,43% — uma aproximação que superestima o ganho.
Como aproveitar os juros compostos na prática
Entender a fórmula é o primeiro passo. Colocar os juros compostos para trabalhar exige alguns hábitos simples:
- Quite dívidas caras primeiro. Não adianta investir a uma taxa enquanto paga outra muito maior.
- Monte sua reserva de emergência. Ela evita que você resgate investimentos de longo prazo ou recorra a crédito caro em um imprevisto. Veja como montar sua reserva de emergência.
- Comece agora, mesmo com pouco. O tempo é o fator que você não recupera depois. O guia de como começar a investir mostra os primeiros passos.
- Automatize os aportes. Programar uma transferência logo após receber o salário reduz a chance de gastar antes de investir.
- Reinvista os rendimentos. Juros, dividendos e rendimentos de FIIs que voltam para a carteira mantêm a bola de neve girando.
- Compare custos e impostos. Prefira produtos com taxas baixas e considere o efeito do IR no prazo escolhido. O Tesouro Direto, por exemplo, tem taxa de custódia de 0,20% ao ano, com isenção no Tesouro Selic até R$ 10 mil.
- Olhe o juro real. Avalie se seus investimentos de longo prazo estão protegidos da inflação.
Conclusão
Os juros compostos são a base de praticamente toda a matemática dos investimentos. A fórmula M = C × (1 + i)n mostra que o tempo, no expoente, é o fator mais poderoso — e que pequenas diferenças de taxa e de custo se ampliam muito ao longo dos anos.
Em outubro de 2026, com o CDI em cerca de 13,65% ao ano, até aplicações conservadoras mostram bem esse efeito. Mas as taxas mudam, e o Focus projeta Selic menor nos próximos anos. Por isso, a estratégia mais consistente continua sendo a mesma: começar cedo, aportar com regularidade, reinvestir, controlar custos e fugir de dívidas caras. Quando quiser transformar esse patrimônio em fluxo de caixa, veja o guia de renda passiva.
Perguntas frequentes
O que são juros compostos, em poucas palavras?
São juros calculados sobre o capital inicial mais os juros já acumulados. A cada período, o rendimento anterior passa a render também, por isso se fala em juros sobre juros.
Qual é a fórmula dos juros compostos?
Para um valor aplicado uma única vez, M = C × (1 + i)^n, em que M é o montante, C o capital, i a taxa por período em decimal e n o número de períodos. Com aportes mensais, use VF = PMT × [(1 + i)^n − 1] ÷ i.
Qual a diferença entre juros simples e compostos?
Nos juros simples, a taxa incide sempre sobre o capital inicial e o crescimento é linear. Nos compostos, incide sobre o saldo acumulado. R$ 10 mil a 10% ao ano por 10 anos viram R$ 20.000 nos juros simples e R$ 25.937 nos compostos.
Como transformar taxa anual em mensal?
Use a fórmula (1 + taxa anual)^(1/12) − 1. Por exemplo, cerca de 13,65% ao ano equivale a aproximadamente 1,07% ao mês. Dividir a taxa anual por 12 dá um resultado incorreto em juros compostos.
Como calcular juros compostos no Excel?
Use a função =VF(taxa;nper;pgto;vp), com aporte e valor inicial em sinal negativo. Exemplo: =VF((1+10%)^(1/12)-1;120;-500;0) calcula R$ 500 por mês durante 10 anos a 10% ao ano, resultando em cerca de R$ 99.932.
O que é a regra do 72?
É um atalho para estimar em quantos anos o dinheiro dobra: divida 72 pela taxa anual. A 13,65% ao ano, o resultado é cerca de 5,3 anos, próximo do cálculo exato de cerca de 5,4 anos.
Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Dados atualizados em outubro de 2026.