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O Tesouro Prefixado é um título público com rentabilidade definida no dia da compra: você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento. No fim de setembro de 2026, o Prefixado 2029 pagava cerca de 13,76% ao ano. O risco está em vender antes, quando o preço oscila conforme os juros do mercado.
- A taxa é travada na compra e cada título paga R$ 1.000 no vencimento.
- No fim de setembro de 2026, um Prefixado 2029 custava cerca de R$ 750, com taxa de cerca de 13,76% ao ano.
- Se os juros caem depois da compra, o título se valoriza; se sobem, ele perde valor no curto prazo.
- Levado até o vencimento, a taxa contratada é cumprida, independentemente das oscilações.
- A versão com juros semestrais paga cupons de 10% ao ano, em duas parcelas.
Como funciona o Tesouro Prefixado
Ao comprar o Tesouro Prefixado, você empresta dinheiro ao Tesouro Nacional por uma taxa fixa até uma data definida. Não importa o que aconteça com a Selic ou com a inflação: se ficar até o fim, você recebe exatamente o que foi combinado.
Essa previsibilidade é a principal vantagem. Se você investe hoje para uma meta com data, como a entrada de um imóvel em 2029, já sabe quanto terá em reais no vencimento, antes do imposto.
A contrapartida é que o prefixado não acompanha a inflação. Se os preços subirem mais que o esperado, o ganho real diminui. Por isso, vale entender como a inflação afeta seu dinheiro antes de escolher entre prefixado e IPCA+.
As taxas mudam todos os dias
A taxa que você trava é a do momento da compra. As taxas oferecidas pelo Tesouro Direto mudam diariamente, conforme as expectativas para a Selic, a inflação e o cenário fiscal. Em outubro de 2026, ano de eleição, a volatilidade tende a ser maior.
Preço unitário e valor de face de R$ 1.000
Todo Tesouro Prefixado sem cupom paga R$ 1.000 por título no vencimento. Esse é o valor de face. O que muda é o preço que você paga hoje, chamado de preço unitário (PU).
O PU é o valor de face trazido a valor presente pela taxa do dia. Para o Prefixado 2029 (vencimento em 1º de janeiro de 2029), com taxa de cerca de 13,76% ao ano em 30 de setembro de 2026 e cerca de 562 dias úteis até o vencimento, a conta fica assim:
PU = 1.000 ÷ (1 + 13,76%)^(562/252) ≈ R$ 750
Ou seja, quem pagou cerca de R$ 750 por um título receberia R$ 1.000 no vencimento. Você não precisa comprar um título inteiro: o mínimo é 1% do título, respeitado o piso de cerca de R$ 30.
Exemplo com R$ 5.000
| Item (Prefixado 2029 a 13,76% a.a., até o vencimento) | Valor aproximado |
|---|---|
| Valor investido | R$ 5.000,00 |
| Quantidade de títulos (R$ 5.000 ÷ R$ 750,13) | cerca de 6,67 |
| Valor bruto no vencimento | R$ 6.665,54 |
| Taxa de custódia (0,20% a.a.) | cerca de R$ 26 |
| IR de 15% (mais de 720 dias) | cerca de R$ 246 |
| Valor líquido no vencimento | cerca de R$ 6.394 |
O valor bruto já é conhecido no dia da compra. Os descontos de custódia e imposto seguem regras fixas. Para conferir as alíquotas, veja o guia de imposto de renda sobre investimentos.
O risco de vender antes do vencimento
O Tesouro Direto recompra o Tesouro Prefixado todos os dias úteis, então liquidez não é o problema. O preço de venda, porém, é calculado com a taxa do dia, e não com a sua. Esse processo é a marcação a mercado.
A lógica é simples: se o mercado passa a pagar mais por títulos novos, ninguém pagaria o mesmo preço pelo seu, que rende menos. Então o preço dele cai até a rentabilidade ficar equivalente. O contrário também vale.
Exemplo numérico: ganho e perda em um mês
Suponha que você investiu R$ 5.000 no Prefixado 2029 a 13,76% ao ano em 30 de setembro de 2026. Um mês depois, o valor de venda dependeria da taxa daquele dia:
| Taxa do mercado um mês depois | Preço por título | Valor bruto da sua posição | Variação |
|---|---|---|---|
| Sobe para 15,76% a.a. | cerca de R$ 730,38 | cerca de R$ 4.868 | cerca de −2,6% |
| Fica em 13,76% a.a. | cerca de R$ 758,23 | cerca de R$ 5.054 | cerca de +1,1% |
| Cai para 11,76% a.a. | cerca de R$ 787,66 | cerca de R$ 5.250 | cerca de +5,0% |
Uma alta de 2 pontos percentuais deixaria você no prejuízo se precisasse vender naquele mês. A mesma queda geraria, em um único mês, ganho maior do que o de vários meses no Tesouro Selic. Em ambos os casos, ainda haveria IR de 22,5% sobre o eventual lucro, por ser um prazo inferior a 180 dias.
Tesouro Prefixado no ciclo de queda de juros
Em 16 de setembro de 2026, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual. O Boletim Focus de 14 de setembro de 2026 projetava a Selic em 12% no fim de 2027 e 10,5% em 2028.
Em um ciclo de queda, o Tesouro Prefixado tem dois atrativos. Primeiro, ele trava a taxa atual por anos, enquanto aplicações pós-fixadas passam a render menos a cada corte. Segundo, se as taxas de mercado caírem, o preço sobe e permite vender antes com ganho acima do contratado.
Exemplo: um ano depois
Imagine os mesmos R$ 5.000 aplicados em 30 de setembro de 2026. Em 30 de setembro de 2027, o valor bruto da posição seria aproximadamente:
- se a taxa de mercado cair para 11,76% a.a.: cerca de R$ 5.808 (ganho de cerca de 16,2% no ano);
- se ficar em 13,76% a.a.: cerca de R$ 5.682 (cerca de 13,6% no ano);
- se subir para 15,76% a.a.: cerca de R$ 5.561 (cerca de 11,2% no ano).
Mesmo no cenário de alta, a posição seguiria positiva depois de um ano, porque o tempo trabalhou a favor. Mas o risco existe: as projeções do mercado podem estar erradas, e choques fiscais ou políticos costumam elevar as taxas longas. Por isso, não trate o prefixado como aposta garantida em queda de juros.
O mecanismo que move a Selic está detalhado em o que é a taxa Selic.
Prefixado com juros semestrais
Existe também o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais. Ele paga cupons de 10% ao ano sobre o valor de face, divididos em dois pagamentos de cerca de 4,88% (cerca de R$ 48,81 por título a cada semestre), mais os R$ 1.000 no vencimento.
| Característica | Prefixado | Prefixado com Juros Semestrais |
|---|---|---|
| Fluxo | Tudo no vencimento | Cupons semestrais + R$ 1.000 no vencimento |
| IR | Só no resgate ou vencimento | A cada cupom e no vencimento |
| Sensibilidade a juros | Maior | Menor, para o mesmo vencimento |
| Uso típico | Acumular para uma data | Complementar a renda |
O retorno total contratado continua sendo a taxa da compra. O cupom de 10% é só a forma de pagamento, e o preço se ajusta para refletir a taxa de mercado.
Quando escolher o prefixado
O Tesouro Prefixado costuma fazer sentido quando:
- você tem um objetivo com data próxima ao vencimento e quer saber hoje quanto terá;
- já tem a reserva de emergência montada em algo com liquidez e sem oscilação, como o Tesouro Selic;
- acredita que a inflação média ficará abaixo do que o mercado embute na taxa;
- aceita ver o saldo oscilar no extrato sem vender no susto.
Para escolher entre prefixado e IPCA+, use a inflação implícita. No fim de setembro de 2026, com o Prefixado 2029 a cerca de 13,76% e o IPCA+ 2029 a cerca de IPCA + 7,37%, a inflação que empata os dois era de cerca de 5,95% ao ano. A comparação completa está no guia do Tesouro IPCA+.
Quando o Tesouro Prefixado não é a melhor escolha
- Reserva de emergência: o dinheiro pode ser necessário a qualquer momento, inclusive logo após uma alta de juros.
- Prazo incerto: se você não sabe quando vai usar o dinheiro, fica difícil casar o vencimento com o objetivo.
- Medo de inflação alta: se a inflação superar a implícita, o Tesouro Prefixado perde para o IPCA+ em ganho real.
- Vencimentos muito longos sem objetivo: quanto mais distante o vencimento, maior a oscilação de preço no caminho.
Nesses casos, uma alternativa é dividir o valor entre pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação. Assim, nenhum cenário de juros ou de inflação afeta toda a carteira de uma vez.
Passo a passo para comprar
- Acesse sua corretora ou o site oficial do Tesouro Direto.
- Escolha o vencimento compatível com seu objetivo.
- Confira a taxa do dia e o preço unitário.
- Informe o valor (mínimo de 1% do título, com piso de cerca de R$ 30) e confirme.
Conclusão
O Tesouro Prefixado oferece previsibilidade: cada título vale R$ 1.000 no vencimento, e a taxa contratada é cumprida para quem espera até o fim. No fim de setembro de 2026, o Prefixado 2029 pagava cerca de 13,76% ao ano, em meio a um ciclo de cortes da Selic.
O cuidado está no prazo. Antes do vencimento, o preço oscila com a marcação a mercado, que pode gerar ganhos se os juros caírem ou perdas se subirem. Escolha um vencimento alinhado à sua meta e use o prefixado com dinheiro que pode ficar aplicado até o fim.
Perguntas frequentes
Quanto rende o Tesouro Prefixado?
Rende a taxa travada no dia da compra. No fim de setembro de 2026, o Prefixado 2029 pagava cerca de 13,76% ao ano. Esse retorno é garantido para quem mantém o título até o vencimento, antes de IR e custódia.
Posso perder dinheiro no Tesouro Prefixado?
Sim, se vender antes do vencimento depois de uma alta de juros. No exemplo do artigo, uma alta de 2 pontos percentuais um mês após a compra reduziria R$ 5.000 para cerca de R$ 4.868. Levado até o vencimento, você recebe o valor combinado.
Por que o Tesouro Prefixado valoriza quando os juros caem?
Porque seu título paga uma taxa maior do que a dos títulos novos. Para ficar equivalente, o preço dele sobe. Isso permite vender antes com ganho acima da taxa contratada.
Quanto custa um título do Tesouro Prefixado?
Depende da taxa e do prazo. Em 30 de setembro de 2026, um Prefixado 2029 custava cerca de R$ 750 e pagará R$ 1.000 no vencimento. Você pode comprar a partir de 1% do título, com mínimo de cerca de R$ 30.
Qual a diferença do prefixado com juros semestrais?
Ele paga cupons de 10% ao ano, em duas parcelas semestrais, além dos R$ 1.000 no vencimento. O IR é retido a cada cupom. A versão sem cupom paga tudo no vencimento.
Vale a pena investir em prefixado com a Selic caindo?
O prefixado trava a taxa atual e pode se valorizar se os juros de mercado caírem. Mas as projeções podem falhar, e altas de taxa geram perdas no curto prazo. Ele faz mais sentido com prazo compatível com seu objetivo.
Este conteúdo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Dados atualizados em outubro de 2026.


